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"Raindrops keep fallin' on my head"
WILSON SIMONAL
   •  PRIMEIRO ARTISTA NEGRO A COMANDAR UM PROGRAMA DE TV NO BRASIL
   •  CANTOU COM ÍCONES COMO ELIS REGINA E A DIVA NORTE-AMERICANA SARAH VAUGHAN
   •  ACLAMADO POR 30 MIL PESSOAS EM SHOW TRANSMITIDO AO VIVO PELA TV PARA TODO O PAÍS
   •  REINOU NA COPA DO MUNDO DE 1970 AO LADO DE PELÉ E DA SELEÇÃO CANARINHO
   •  CANTOR DE TAMANHO SUCESSO NO BRASIL QUE, APÓS QUATRO DÉCADAS, AINDA É DIFÍCIL
      ESTABELECER PARÂMETROS DE COMPARAÇÃO

terça-feira, 9 de junho de 2009

Caetano Veloso elogia Simonal

Caetano Veloso comenta o documentário Simonal - Ninguém sabe o duro que dei, de Cláudio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal, e elogia Wilson Simonal.



"O mais importante é a reaparição de um dos maiores cantores que já houve no Brasil."

"Vi o documentário e gostei muito. Vi sozinho, num cineminha de Ipanema. Mas os outros espectadores, gente que eu não conhecia, vieram todos falar comigo, me fazer perguntas. Falei tudo o que sei. O mais importante é a reaparição de um dos maiores cantores que já houve no Brasil.

Também é algo imenso que os realizadores tenham conseguido o depoimento da vítima dele. Sente-se a complexidade de tudo. O fato de Bárbara Heliodora ter sido patroa da mãe de Simonal dá arrepios: é tanto do Brasil que se revela nisso! Ela fala com muita dignidade. Claro que o ponto alto é o dueto com Sarah Vaughan: que cantor ele era! E tão à vontade na presença dela!

Senti falta de uma referência à passagem de Simonal por Natal. Estive com ele lá, depois de um show meu, a pedido de um cara que era uma mãe para ele. Jantamos juntos e conversamos. Isso no início dos anos 80, creio. Ele estava cheio de chinfra, como se continuasse segurando o personagem. Mas tinha cheiro de álcool e a voz, que, falando, parecia firme, cantando não funcionava mais. Fiquei triste. Ele voltou e eu o vi na TV: segurando o charme mas sem nem poder cantar.

Sim, 'Alegria, Alegria' teve o título inspirado nele (e no Chacrinha, que tinha adotado o bordão). Eu o adorava. No edifício São Carlos do Pinhal, colado ao prédio da Gazeta, éramos vizinhos e nos víamos com carinho e humor. Eu estava bem ciente dos parentescos da Tropicália com a pilantragem. Admirava a bossa dele mas sentia a fragilidade do projeto ultracomercial.

Os militares que me interrogaram por 6 horas quando vim ao Brasil em 1971, numa concessão conseguida por Bethânia com a ajuda de Chico Anísio e Benil Santos, interrompendo o exílio para estar no aniversário de 40 anos de casamento de meus pais, me disseram, entre ameaças e seduções, para eu colaborar com eles, que Simonal já o fazia. Disseram outros nomes. Não acreditei. Decidi não acreditar. Houve canção feita para o governo militar por compositor/cantor que também é preto, e a desgraça não caiu sobre ele. Leia "Eu Não Sou Cachorro Não".

Simonal se pôs num lugar para que acontecesse a tragédia. É terrível, porque tem algo como uma caricatura da impossibilidade de um pretinho talentosíssimo, filho de cozinheira, cumprir um destino positivo até o fim."(AE)

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul
9 de junho de 2009 - Cruzeiro On Line

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